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A mineração que move o Pará e o desafio de fazer isso de forma sustentável

Quando se fala em riqueza mineral no Brasil, o Pará ocupa um lugar que poucos estados podem reivindicar. Os dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) referentes a 2025 confirmam o que o setor já sabia: o faturamento da mineração brasileira somou R$ 298,8 bilhões no ano, um crescimento de 10,3% em relação a 2024, e o Pará respondeu por 34,5% desse total, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Em termos práticos, isso significa que mais de um terço de tudo que o Brasil extrai e comercializa em minérios passa pelo solo paraense. IBRAM

Mas os números não contam a história sozinhos. O debate que tomou conta do setor em 2026, especialmente após o IV Congresso Técnico do Simineral realizado em Belém, é outro: não basta extrair, é preciso saber como. O presidente do Conselho Diretor do Simineral, Anderson Baranov, foi categórico ao enfatizar que o evento foca justamente nessa evolução incontornável do setor. A questão central, como colocou o próprio congresso, deixou de ser a quantidade extraída para se tornar a forma como essa extração é feita. Belem

O Pará na vitrine da transição energética global

Não é por acaso que o estado paraense aparece como protagonista nesse momento. A previsão de investimentos para o setor mineral brasileiro no período de 2026 a 2030 é de US$ 76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao previsto no ciclo anterior, com destaque para minerais críticos como cobre, níquel, lítio e terras-raras, essenciais para a transição energética global. O Pará concentra parte expressiva desse fluxo de capital, e a disputa por minerais críticos no mercado internacional só aumenta a pressão sobre a Amazônia. Portal Debate

Em termos fiscais, o Pará foi responsável por 39% da arrecadação da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) em 2025, ficando atrás apenas de Minas Gerais, que respondeu por 45% do total. Esses recursos chegam aos municípios produtores e têm papel fundamental no financiamento de serviços públicos em regiões que convivem diretamente com os impactos da atividade mineradora. Ibram

Transparência como novo exigência

O Congresso do Simineral trouxe à tona a Carta Santarém como referência de boas práticas. O secretário adjunto da Semas, Rodolpho Zahluth, chamou atenção para o monitoramento legal e a prestação de contas por meio desse documento, que funciona como um mapa de diretrizes para salvaguardar a região, afirmando que a apresentação de seus dados é um marco importante para ampliar a transparência e mostrar à sociedade o que está sendo feito. Belem

A mineração no Pará é, ao mesmo tempo, motor econômico e zona de tensão. A pergunta que o estado precisará responder nos próximos anos é se consegue crescer nesse setor sem comprometer o que tem de mais valioso: a Amazônia.

Fontes: IBRAM | Debate Carajás | Belém.com.br | Agência Pará

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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