Quase 20 milhões de brasileiros vivem fora da região onde nasceram

Há um movimento consistente de brasileiros que deixam sua região de origem em busca de trabalho, estudo e novas oportunidades. Nesse contexto, Alfredo Moreira Filho, empresário, fundador e management do Grupo Valore+, cuja trajetória passou pela Bahia, por Minas Gerais, pelo Amazonas e pelo Pará antes de chegar a Brasília, destaca que esses deslocamentos ajudam a explicar não apenas a formação de carreiras individuais, mas a própria ocupação econômica do país.
Os dados mais recentes do Censo Demográfico do IBGE oferecem um retrato atualizado desse fenômeno e revelam mudanças importantes em relação a décadas anteriores. Entenda, nos tópicos a seguir, de onde saem os migrantes brasileiros, para onde vão e o que motiva essas escolhas.
O que o Censo revela?
De acordo com o Censo, cerca de 19,2 milhões de brasileiros moram em uma região diferente daquela em que nasceram. O número considera apenas mudanças entre as grandes regiões do país, como do Nordeste para o Sudeste ou do Sul para o Centro-Oeste, e não inclui deslocamentos dentro de uma mesma região.
Para chegar a esse retrato, o IBGE investigou três aspectos: o local de nascimento de cada morador, o local da última residência e o lugar onde a pessoa vivia cinco anos antes da pesquisa. Essa combinação permite identificar tanto movimentos antigos quanto fluxos recentes. Como interpreta Alfredo Moreira, os números mostram que a mobilidade faz parte da história de milhões de famílias brasileiras.
O Nordeste como principal origem
A Região Nordeste continua sendo a principal origem dos fluxos migratórios internos. Do total de brasileiros que vivem fora da região onde nasceram, 10,4 milhões, ou 54,2%, são nordestinos. Ao longo do século passado, milhões de pessoas deixaram a região rumo ao Sudeste, especialmente para São Paulo e Rio de Janeiro, atraídas pela industrialização.
Entre os estados, a Bahia se destaca. O Censo aponta 3,4 milhões de baianos vivendo em outras regiões, número que coloca o estado como o segundo maior emissor de população do país, atrás apenas de Minas Gerais, com 3,5 milhões. Na esteira do que expõe Alfredo Moreira Filho, esses dados ajudam a dimensionar o quanto a trajetória de quem sai do interior baiano em busca de novas oportunidades é compartilhada por uma parcela expressiva da população.

Novos destinos e mudanças de rota
O mapa da migração, no entanto, está mudando. Nos cinco anos anteriores ao Censo, Santa Catarina se tornou o principal destino dos brasileiros que trocaram de estado, recebendo mais de 503 mil novos moradores. Em sentido oposto, São Paulo registrou saldo migratório negativo pela primeira vez, com perda de 90 mil pessoas, e o Rio de Janeiro teve o pior resultado do país, com saldo negativo de 165 mil.
A Região Norte também apresentou mudança relevante, salienta Alfredo Moreira Filho. No mesmo período, recebeu 231 mil pessoas de outras regiões, mas perdeu 432 mil moradores, o que resultou no primeiro saldo negativo desde o início da série histórica. Ainda assim, estados como o Pará seguem abrigando grande número de migrantes: mais de 1 milhão de pessoas que vivem hoje no estado vieram de outras partes do Brasil.
Por que as pessoas migram?
A principal motivação da migração interna no Brasil é econômica. A busca por emprego, renda melhor, acesso a estudo e serviços de saúde explica boa parte dos deslocamentos. Regiões com taxas de desemprego mais baixas e economia em expansão tendem a atrair novos moradores.
Os especialistas do IBGE também destacam o chamado efeito rede: quando parentes ou conhecidos se estabelecem em um novo lugar e relatam experiências positivas, outras pessoas se sentem estimuladas a seguir o mesmo caminho. Em conformidade com o que indica Alfredo Moreira Filho, cada mudança de cidade carrega aprendizados que, somados ao longo da vida, ajudam a formar profissionais mais preparados para lidar com realidades diferentes.



