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O Que o Pacote de Belém Mudou no Clima Global: Entenda os 29 Acordos Aprovados na COP 30

Após 13 dias de negociação em Belém, 195 países chegaram a um consenso histórico; saiba o que foi aprovado, o que ainda precisa acontecer e por que o Pará ficou no centro do maior evento climático do mundo

Em novembro de 2025, Belém virou capital do mundo por algumas semanas. A cidade paraense, às margens da baía do Guajará e às portas da Amazônia, recebeu delegações de 195 países para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30. O resultado foi um conjunto de documentos que ficou conhecido como Pacote de Belém, e que representa o maior avanço multilateral sobre clima desde o Acordo de Paris, assinado dez anos antes. Depois de 13 dias de negociação, a presidência brasileira da COP 30 obteve a aprovação de 29 documentos de forma unânime pelos 195 países participantes. Essas decisões incluem avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. O fato de os documentos terem sido aprovados por consenso, sem bloqueios, é em si um resultado expressivo num momento de tensão geopolítica global. Agência Brasil

O presidente Lula participou ativamente das negociações e não escondeu a satisfação com o resultado. Lula declarou estar muito satisfeito com o sucesso da COP em Belém, descrevendo o evento como extraordinário, celebrando que um documento único foi aprovado, o multilateralismo saiu vitorioso e Belém ficou maravilhosamente bonita para o povo do Pará. Além do conteúdo negociado, a escolha de Belém como sede teve um valor simbólico difícil de ignorar: pela primeira vez, uma COP foi sediada na Amazônia, colocando o bioma mais ameaçado do planeta literalmente no centro das discussões sobre o futuro climático da humanidade. GOV.BR

O Fundo das Florestas e as principais decisões do Pacote de Belém

Entre os 29 documentos aprovados, um chamou atenção pela sua originalidade: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. O Fundo cria uma forma inédita de pagamento para que países mantenham as florestas tropicais em pé, recompensando financeiramente os países que preservam suas florestas por meio de um fundo de investimento global. O dinheiro não é uma doação: os investidores recuperam os recursos com remuneração compatível com as taxas médias de mercado, ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação florestal. Ao menos 63 países já endossaram a ideia, e o fundo mobilizou US$ 6,7 bilhões. É uma tentativa de transformar a floresta em pé num ativo financeiro atrativo, superando a lógica perversa de que derrubar paga mais do que preservar. Agência Brasil

Outro avanço relevante foi na área de adaptação climática. As Partes concluíram o Roteiro de Adaptação de Baku, aprovando e estabelecendo o trabalho para 2026-2028, até o próximo Balanço Global do Acordo de Paris, e finalizaram um conjunto abrangente de 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação, envolvendo setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas e infraestrutura. Na área de financiamento, as decisões aprovadas no Pacote de Belém incluem o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação até 2035. No campo da saúde, o Plano de Ação de Saúde de Belém, endossado por mais de 30 países e 50 organizações, elevou a saúde como prioridade climática, recebendo US$ 300 milhões do Fundo de Financiadores do Clima e Saúde. GOV.BR + 2

O que ainda falta: o Brasil na presidência da COP até novembro de 2026

Aprovar documentos em uma COP é apenas o começo. O que importa, na prática, é o que cada país faz com os compromissos assumidos depois que as delegações voltam para casa. O Brasil segue na presidência da COP até novembro de 2026, e a ministra Marina Silva disse acreditar que cada país deverá ter o seu próprio Mapa do Caminho, assim como acontece com as NDCs, destacando que países em desenvolvimento e países pobres, dependentes do petróleo em suas economias, não têm ainda essas trajetórias planejadas. Esse é o principal desafio do período pós-COP: transformar acordos genéricos em ações concretas, especialmente nos países que mais precisam de suporte técnico e financeiro para fazer a transição energética. Agência Brasil

Para o Pará e para a Amazônia, o legado da COP 30 vai além dos acordos internacionais. O governador Helder Barbalho destacou que a COP foi uma oportunidade única para mostrar ao mundo que desenvolvimento e sustentabilidade caminham juntos, e que Belém e o Pará ficaram no centro das discussões climáticas mundiais. As obras realizadas para o evento, que incluíram o Parque da Cidade, terminais hidroviários, pavimentação asfáltica e saneamento, ficam como legado urbano permanente para a população da capital paraense. O mundo veio até Belém discutir o clima, e Belém se transformou para receber o mundo. Agora, o que se espera é que os compromissos assinados na capital amazônica se traduzam em ação climática real, antes que seja tarde demais. Agência Para

Fontes: Agência Brasil | Secom/Gov.br | Agência Pará

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