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Tecnologia criada no Pará transforma dados em ferramenta para impulsionar o turismo na Amazônia

Elena Vorenska 8 min de leitura

Plataforma desenvolvida a partir de experiência em Abaetetuba busca melhorar a presença digital dos municípios e apoiar decisões no turismo.

Belém e outros municípios paraenses estão diante de uma oportunidade cada vez maior de usar tecnologia para organizar e divulgar seus atrativos turísticos. Uma iniciativa criada no próprio Pará chama atenção justamente por tentar transformar informações sobre visitantes em uma ferramenta de apoio à gestão pública. A plataforma Encantos Amazônicos nasceu a partir de uma experiência realizada em Abaetetuba e reúne recursos voltados à divulgação de destinos, eventos, roteiros, transporte e pontos de interesse. A proposta também utiliza dados das interações dos usuários para ajudar municípios a entender quais informações despertam mais interesse.

A novidade ganha relevância para o estado porque o turismo paraense possui características muito particulares. Belém, Marajó, Santarém, Alter do Chão, Salinópolis, Bragança e dezenas de outros destinos possuem experiências diferentes, mas nem sempre encontram uma estrutura digital capaz de apresentar tudo isso de maneira organizada. A dúvida que surge para o visitante é simples: onde encontrar informações confiáveis sobre o destino e como escolher o que fazer? Para os gestores, existe outra questão igualmente importante: como descobrir, com base em dados, quais atrações e serviços realmente despertam a atenção do público?

Como a tecnologia criada no Pará funciona na prática

A Encantos Amazônicos surgiu a partir do AbaetéFest, aplicativo desenvolvido para concentrar informações sobre Abaetetuba. Com a evolução do projeto, passaram a ser reunidos em um mesmo ambiente dados sobre eventos, pontos turísticos, roteiros, mapas e horários de transporte, facilitando o acesso de moradores e visitantes. Segundo os responsáveis pela iniciativa, nos 12 meses analisados o projeto chegou a aproximadamente 360 mil impressões no Google e mais de 29 mil cliques, com taxa de cliques próxima de 8,1% e posição média próxima da primeira página dos resultados de pesquisa.

Esses números ajudam a mostrar por que a tecnologia pode ter utilidade além da simples divulgação turística. Quando uma pessoa pesquisa um horário de transporte, um evento ou um ponto de interesse, essa interação também revela quais informações são consideradas importantes para quem está planejando uma visita. Em um município amazônico, onde deslocamentos podem envolver rios, estradas e grandes distâncias, ter informações reunidas em um ambiente digital pode facilitar bastante o planejamento. Para o morador do Pará, isso também significa encontrar em um só lugar informações que antes poderiam estar espalhadas em redes sociais, páginas de órgãos públicos e diferentes sites.

A ideia central da plataforma é justamente transformar parte desse comportamento digital em informação útil para a gestão. Uma secretaria de turismo pode observar, por exemplo, quais atrativos despertam mais interesse, quais eventos recebem maior procura e que tipos de conteúdos são mais acessados. Isso não substitui pesquisas oficiais ou o conhecimento dos profissionais que trabalham no setor, mas acrescenta uma fonte de informação que pode ajudar no planejamento. O modelo se aproxima de uma tendência maior de uso de dados para melhorar políticas públicas e serviços, algo que também aparece no trabalho de instituições paraenses como a Fapespa, que utiliza ferramentas de análise e painéis de dados para apoiar decisões estratégicas.

Por que esse modelo pode fazer diferença para o turismo do Pará

A aplicação de tecnologia ao turismo pode ser especialmente importante no Pará porque o estado possui uma oferta extremamente diversificada. Um visitante interessado em natureza pode procurar experiências no Marajó ou em Santarém, enquanto outro pode estar interessado na gastronomia, na cultura, no Círio de Nazaré, nas praias ou no patrimônio histórico de Belém. A variedade é uma vantagem, mas também cria um desafio: quanto mais informações existem, maior é a necessidade de organizá-las de maneira clara para quem pesquisa pelo celular. A própria experiência desenvolvida em Abaetetuba partiu dessa necessidade de facilitar o acesso às informações sobre o município.

Para Belém, esse tipo de solução também pode dialogar com o momento vivido pela capital paraense depois da COP30. O projeto de legado da conferência prevê impactos em áreas como infraestrutura, turismo, cultura, educação e inovação, com a intenção de fortalecer a posição de Belém como destino turístico e cultural da Amazônia. Nesse cenário, ferramentas digitais podem contribuir para que o visitante encontre informações sobre atrações, programação e serviços antes e durante a viagem. A tecnologia, porém, funciona melhor quando está acompanhada de informações atualizadas e de uma estrutura turística preparada para atender a demanda.

Outro ponto importante é a possibilidade de descentralizar a visibilidade turística. Nem todo município paraense dispõe da mesma estrutura de comunicação ou dos mesmos recursos para promover seus atrativos na internet. Uma solução criada pensando nas características amazônicas pode ajudar cidades menores a apresentar seus destinos de maneira mais organizada e disputar a atenção de pessoas que fazem suas escolhas de viagem principalmente pela internet. Para localidades que possuem praias, rios, gastronomia, manifestações culturais ou turismo de natureza, aparecer bem nos ambientes digitais pode representar uma oportunidade de ampliar o alcance de seus atrativos.

A tecnologia também pode beneficiar o próprio morador. Um sistema que reúna eventos, pontos de interesse, transporte e serviços não precisa ser utilizado apenas por turistas de fora do estado. Paraenses que desejam conhecer municípios próximos, organizar um passeio de fim de semana ou descobrir uma programação cultural também podem utilizar essas informações. Em uma região onde os deslocamentos e as distâncias exigem planejamento, ter acesso rápido a dados sobre o destino pode tornar a experiência mais simples e ajudar a estimular o turismo regional.

O que muda para os municípios paraenses daqui para frente

O caso de Abaetetuba mostra que a transformação digital do turismo não precisa começar necessariamente em grandes capitais ou destinos já consolidados. A experiência foi desenvolvida em uma cidade paraense e serviu como base para a criação de uma plataforma pensada para outros municípios amazônicos. Segundo os responsáveis, a Encantos Amazônicos pretende oferecer um ambiente próprio para apresentar destinos, divulgar eventos e atrativos e disponibilizar informações úteis aos visitantes, enquanto organiza dados sobre as interações realizadas pelos usuários.

Esse tipo de ferramenta pode ganhar importância à medida que as cidades precisam tomar decisões mais precisas sobre promoção turística. Em vez de depender somente da percepção sobre quais atrações parecem mais populares, os gestores podem combinar dados digitais com pesquisas, informações econômicas e indicadores oficiais. A Fapespa, por exemplo, destaca o uso de estudos, indicadores e ferramentas de análise como instrumentos para apoiar políticas públicas e planejamento no estado. A lógica aplicada ao turismo segue o mesmo princípio: informação organizada pode ajudar o gestor a enxergar tendências e identificar oportunidades.

Para o Pará, o desafio será transformar presença digital em experiência real. Não adianta um município aparecer bem nas buscas se o visitante encontra informações desatualizadas, dificuldade de transporte, pouca sinalização ou serviços insuficientes. Por isso, plataformas tecnológicas devem ser vistas como parte de uma estratégia maior, que envolva poder público, empresas, trabalhadores do turismo e comunidades locais. A tecnologia pode mostrar o que as pessoas procuram, mas o desenvolvimento turístico depende também da capacidade de transformar essa procura em experiências seguras, acessíveis e bem estruturadas.

A iniciativa criada a partir de Abaetetuba aponta, portanto, para uma mudança de mentalidade. O turismo paraense pode deixar de depender apenas de divulgação tradicional e avançar para um modelo no qual conteúdo, tecnologia e dados trabalham juntos. Esse movimento interessa especialmente aos municípios que querem ganhar visibilidade sem perder suas características culturais e ambientais. A Amazônia possui destinos capazes de atrair visitantes, mas também precisa de ferramentas que ajudem a apresentar essa diversidade de maneira responsável e conectada às necessidades de quem vive e visita a região.

O caso paraense também reforça que inovação não acontece apenas nos grandes centros tecnológicos. Uma solução desenvolvida a partir de uma necessidade local em Abaetetuba agora busca alcançar outros municípios amazônicos. Para o morador do Pará, a principal mudança pode estar justamente na facilidade de descobrir o próprio estado, enquanto para os gestores surge uma nova possibilidade de compreender melhor o interesse dos visitantes. Se houver integração com políticas públicas e atualização constante das informações, iniciativas desse tipo podem ajudar a aproximar tecnologia, turismo e desenvolvimento regional.

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