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Como a conscientização sobre resíduos pode transformar comunidades inteiras?  

Marcello José Abbud, em sua experiência como empresário especialista em educação, observa um padrão que se repete nos municípios brasileiros: programas de gestão de resíduos bem financiados fracassam quando ignoram o fator humano. A infraestrutura importa, mas a mudança de comportamento nas comunidades é o que sustenta qualquer política de resíduos sólidos no médio e longo prazo. Sem isso, caminhões novos e aterros bem projetados resolvem apenas metade do problema.

O Brasil gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos da Abrelpe. Parte considerável desse volume poderia ser reduzida, reutilizada ou reciclada antes mesmo de chegar ao destino final. O que falta, em muitos casos, não é tecnologia: é conscientização estruturada, contínua e adaptada à realidade de cada comunidade. 

Se você trabalha com gestão pública, saneamento ou quer entender por que certas campanhas educativas funcionam e outras não saem do papel, continue lendo para entender como transformar sensibilização em resultados concretos.

Por que campanhas isoladas raramente mudam comportamento?

A conscientização sobre resíduos costuma ser tratada como evento: uma semana do meio ambiente, um panfleto distribuído nas escolas, uma palestra na praça central. Porém, sob a visão de Marcello José Abbud, as iniciativas pontuais geram engajamento momentâneo, mas não criam o hábito que os sistemas de coleta seletiva e compostagem precisam para funcionar. O comportamento muda quando há repetição, reforço positivo e uma narrativa que faça sentido para aquela comunidade específica.

O problema central está na desconexão entre a linguagem das campanhas e o cotidiano das pessoas. Termos técnicos, dados abstratos e apelos genéricos ao “futuro do planeta” pouco ressoam em famílias que vivem em contextos de vulnerabilidade social, em que a preocupação imediata é outra. A conscientização eficaz fala de saúde, de segurança do bairro, de economia doméstica e de orgulho comunitário, não apenas de ecologia.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Quais estratégias apresentam resultados mais consistentes?

De acordo com Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, as abordagens que geram resultados duradouros compartilham três elementos: territorialidade, repetição e pertencimento. Territorialidade significa adaptar a mensagem e os mecanismos de coleta à realidade física e social de cada bairro. Repetição garante que a informação não se perca depois do primeiro contato. E pertencimento transforma o morador de espectador em corresponsável pela limpeza e organização do espaço onde vive.

Programas de educação ambiental integrados à rotina escolar têm mostrado efeito multiplicador relevante: crianças que aprendem a separar resíduos costumam influenciar os hábitos dos adultos em casa. Essa dinâmica foi identificada em iniciativas apoiadas por prefeituras de médio porte que investiram em kits didáticos e visitas a unidades de triagem, tornando o ciclo do resíduo algo tangível para os estudantes.

Como engajar lideranças locais na gestão de resíduos?

Marcello José Abbud aponta que nenhuma política de conscientização se consolida sem a participação ativa de quem já tem credibilidade na comunidade, sejam líderes religiosos, presidentes de associações de bairro ou agentes de saúde. Essas pessoas funcionam como pontes entre a linguagem técnica da gestão pública e a realidade vivida pelos moradores. Quando um agente comunitário explica a coleta seletiva do ponto de vista da saúde da criança ou da valorização do bairro, o engajamento aumenta de forma expressiva.

O poder público precisa investir na formação dessas lideranças, e não apenas na produção de material gráfico, deve-se pensar em oficinas práticas, visitas técnicas e incentivos para que esses multiplicadores permaneçam ativos criarem uma rede de educação ambiental descentralizada, muito mais resiliente do que campanhas centralizadas de cima para baixo.

O futuro da conscientização ambiental nos municípios brasileiros

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completou mais de uma década de vigência com avanços inegáveis na estrutura normativa, mas ainda enfrenta lacunas graves na implementação, especialmente nos municípios de pequeno porte. O caminho mais curto entre a lei e a prática passa pela educação permanente: comunidades informadas exigem soluções, fiscalizam e participam. 

Marcello José Abbud, como empresário e especialista em soluções ambientais, resume que a conscientização deixa de ser custo quando começa a ser tratada como investimento em governança ambiental. Municípios que educam hoje reduzem custos operacionais de coleta e tratamento nos próximos anos, enquanto constroem uma base social favorável à adoção de tecnologias mais avançadas de valorização de resíduos. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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